O CAMINHO DAS PEDRAS: DANILO DIAS (AGU, DPU E TRF5)

Oi, pessoal! O que fazer pra passar num concurso público? A resposta é óbvia e infelizmente não trago nenhuma fórmula mágica: estudar, estudar, estudar… No entanto, a experiência dos aprovados ensina, e como ensina! Isso não quer dizer que você deva seguir exatamente a trajetória do aprovado. Pelo contrário: o intuito é mostrar que vários caminhos podem levar à aprovação. Não há um único método de estudo. Contudo, ler os relatos dos aprovados é bastante enriquecedor pra alertar sobre erros e para fazer o concurseiro enxergar outros aspectos que não tinha considerado antes.

O Danilo Dias, meu ex-colega na DPU (na época, aprovado em 2º lugar), recentemente tomou posse como juiz federal na 5ª Região e vai nos contar sua trajetória até a posse. 🙂

FNR: Quando começou a estudar pra concurso?
Danilo: Iniciei meus estudos no meio de 2006, quando ainda me encontrava no terceiro ano do ensino médio e já sabia que cursaria Direito. Desde o começo da faculdade já tinha a intenção de prestar concurso público (por incentivo do meu pai, que também é servidor).
A princípio, pretendia ser aprovado em concurso de nível médio para alcançar uma certa estabilidade profissional e econômica, de modo a não ficar desesperado após a colação de grau para obter emprego e ter, com isso, um conforto maior para desenvolver minha preparação para a magistratura (que eu sabia que seria longa). Assim, estudei bastante e acabei sendo aprovado e exercendo o cargo de Técnico Judiciário do TJRJ em 2008 e posteriormente Técnico do Seguro Social do INSS em 2010. Ainda durante a faculdade, prestei o concurso para Analista do MPU e fui nomeado no oitavo período, tendo conseguido antecipar a minha colação de grau graças a uma decisão judicial e tomado posse no final de 2010. No início de 2011, já formado, comecei a estudar especificamente para a magistratura, em um momento inicial para Juiz do Trabalho (por influência também do meu pai, que é Auditor-Fiscal do Trabalho).
Estudei firme para Juiz do Trabalho durante pouco mais de dois anos, cheguei a prestar dois concursos e fui aprovado nas primeiras fases, mas reprovado nas segundas. Senti certa dificuldade nessa área, pois nunca tinha atuado efetivamente na Justiça do Trabalho.
Acabei “desviando” um pouco de meu foco inicial e prestei, meio que sem compromisso, o concurso de Delegado de Polícia Federal em 2013, tendo sido aprovado na parte teórica (objetiva/discursiva), mas eliminado no teste de natação. Foi aqui que optei por abandonar a área trabalhista (algo que eu já sentia que era necessário, mas relutava, afinal, eram dois anos de dedicação). Decidi, assim, seguir a esfera federal.
Com isso, prestei os concursos para Procurador Federal em 2013 e Defensor Público Federal em 2014, obtendo a aprovação e exercido cada um deles por cerca de um ano.
Finalmente, fiz o concurso de Juiz Federal e fui aprovado e tomado posse agora neste final de 2016. Foram, como se vê, dez anos de preparação.

FNR: Como conciliava trabalho com estudo?
Danilo: Conciliar trabalho com estudos não é fácil. É preciso ter isso em mente. Seria desonestidade dizer que é algo que não exige um esforço acentuado. Mas não é impossível. Não é. Na verdade, neste concurso para Juiz Federal da 5ª Região, absolutamente todos os aprovados já exerciam outros cargos públicos. Acredito que, na verdade, quem trabalha em outros cargos acaba exercendo efetivamente o Direito, vendo a aplicação prática da teoria, o que facilita muito a assimilação das matérias. Também é muito comum vermos questões na prova (principalmente discursiva) que já enfrentamos no dia-a-dia, o que nos coloca na frente dos demais candidatos (nas minhas provas de sentença, por exemplo, cobraram fornecimento de medicamentos, direito previdenciário e desvio de verbas públicas, temas com que lidei exaustivamente no MPF, DPU e AGU).
Em geral, eu estudava algumas poucas horas antes do expediente e muitas horas após. Normalmente, umas duas horas antes e umas quatro horas depois, totalizando seis horas diárias. Nos finais de semana eu estudava pelo menos oito horas por dia – sendo que, por visitar minha família normalmente quinzenalmente, eu acabava estudando um final de semana sim e outro não. Nas retas finais de concurso, eu intensificava e estudava bem mais, principalmente aos finais de semana (às vezes, até doze horas ou um pouco mais). Por diversas vezes tirei férias apenas para estudar nos trinta dias anteriores ao concurso, mantendo meu ritmo de final de semana (entre 8-12 horas).

FNR: Como era o seu método de estudo?
Danilo: Eu, pessoalmente, nunca gostei de fazer resumos. Sempre gostei de ler o maior número de informações possível. Quando queria revisar uma matéria em um tempo menor, optava por sinopses ou resumos elaborados por outras pessoas confiáveis. Algumas vezes eu grifava os livros, para manter minha atenção, mas confesso que nunca cheguei a reler os grifos, até porque normalmente quando eu ia ler o livro novamente eu comprava a edição mais recente novamente (nunca gostei de ler livros com mais de um ano, pois sabia que o Direito muda muito e alguma coisa poderia ter alterado). Cheguei a comprar o mesmo livro por três vezes.

FNR: Você estipulava metas?
Danilo: Sim. Acredito que isso é fundamental, pois, em alguma medida, indica que estivemos efetivamente lendo durante o tempo reservado para estudos. É muito comum que acreditemos que estudamos três, quatro ou cinco horas, mas na verdade nos dispersamos tanto que lemos em todo esse tempo algumas poucas páginas. Minha média era de dez páginas por hora, então se eu separava duas horas para estudar, teria que ler vinte páginas. Eu não parava antes de ler as vinte. Claro que algumas disciplinas são mais complexas e outras são mais simples, mas devemos estipular uma média de leitura para cada matéria e cumprir o cronograma.

FNR: Estudava uma disciplina de cada vez ou tentava estudar mais de uma simultaneamente?
Danilo: Sempre preferi estudar poucas disciplinas por vez. Nunca fiz o chamado “ciclo de estudos”, em que estudamos todas as matérias de uma só vez, alternadamente. Normalmente estudava uma ou duas disciplinas, até como forma de sentir que havia “esgotado” o edital em relação a algumas matérias. Como eu estudava em média seis ou sete horas diárias, lia entre 50-70 páginas por dia, o que fazia com que em cerca de 15 dias eu esgotasse cada uma das matérias mais importantes (os manuais costumam ter cerca de 1.000 páginas).

FNR: Como conciliava o estudo de lei seca, doutrina e questões?
Danilo: É comum dizer que o candidato deve dominar lei, doutrina e jurisprudência. Pois eu diria que ele deve dominar isso – e nessa ordem. Assim, o primeiro passo que sempre dei para estudar uma disciplina foi esgotar a legislação referente à matéria. Então, se iria estudar constitucional, lia a Constituição inteira, para somente então ler um livro de constitucional. Posteriormente, lia os informativos. Isso me parece eficiente porque a doutrina aborda muitas discussões sobre a lei (como discutir algo que não conheço?), assim como a jurisprudência trata de muitas discussões doutrinárias (como entender um julgamento sobre teses se não conheço essas teses doutrinárias?). Assim, para ler doutrina devo antes conhecer a lei; e para entender a jurisprudência devo antes compreender a doutrina. As questões sempre fiz apenas após esgotar a matéria. E fazia muitas. Fiz milhares (literalmente). Treinar com questões é muitíssimo importante. É um método excelente de fixação e revisão. Também sempre gostei muito de questões comentadas, pois, com os comentários, a um só tempo treinava os exercícios e revisava a lei/doutrina/jurisprudência.

FNR: A principal reclamação de quem estuda pra concurso é o esquecimento. Como realizava revisões?
Danilo: Como disse, fazia os exercícios após já ter exaurido o estudo da lei, da doutrina e da jurisprudência. Sempre fiz muitos exercícios nas semanas que antecediam as provas, pois considerava um método eficiente de revisão. Nos últimos trinta dias antes do concurso, especialmente, eu lia muita legislação e fazia muitas questões, deixando um pouco de lado a doutrina e a jurisprudência (salvo as excepcionais revisões de véspera de prova do Dizer o Direito, claro).

FNR: Como estudava informativos?
Danilo: Acredito que o Dizer o Direito é insuperável. Simples, direto e o objetivo. Comecei a dar bastante atenção aos informativos após já ter lido pelo menos um livro de cada uma das disciplinas mais importantes. Li em ordem cronológica, do mais recente para os mais antigos, primeiro os do STF e depois do STJ. Lia os dois últimos anos, pois acredito que os informativos mais antigos e mais importantes acabam por já ser incorporados à doutrina, que os cita.

FNR: Fazia provas de outros concursos como treino?
Danilo: Não. E não recomendo. Se for fazer o concurso é para levar a sério. Ser reprovado desestimula. E dar tiro para todos os lados não é eficiente. Muitos concursos têm disciplinas específicas (regimentos internos, alguns ramos do direito mais periféricos), que não serão utilizadas para os próximos concursos. Eu sempre me preocupei muito com a questão da “bagagem”. Podia até ser reprovado, mas tudo que eu estudava eu aproveitaria para o próximo concurso. Então, não adianta ter como foco a Magistratura Federal e prestar para servidor de TRT’s, pois você estará perdendo tempo estudando direito do trabalho e processo do trabalho. Você pode até fazer concursos que considera “trampolins”, mas eles devem ter relação com aquilo que você tem como meta final.

FNR: Com o tempo e a experiência, todo concurseiro tenta verificar onde está errando e corrigir esse erro. Na sua trajetória, você constatou que estava errando em algum ponto?
Danilo: Como disse, errei ao mirar, inicialmente, a Magistratura do Trabalho. Eu não trabalhava com isso. Nunca tinha visto a aplicação prática do Direito do Trabalho. Jamais encontraria uma questão de prova que eu já havia enfrentado no meu trabalho. Isso é algo que considero importante: ter uma carreira progressiva mais ou menos linear em termos de disciplinas. Assim, é natural que um Analista do TRT estude para Juiz do Trabalho e que um Analista do MPF ou da Justiça Federal estude para Juiz Federal ou Procurador da República. Ter como meta cargos que se relacionam, ainda que indiretamente, com seu trabalho certamente facilitará a aprovação.

FNR: Como estudava para a fase de dissertativas/sentenças?
Danilo: Pessoalmente, sempre tive facilidade para escrever. Acredito que meu maior treino foi meu trabalho no MPF (foram mais de três anos escrevendo todos os dias, fazendo minutas para um Procurador da República que era particularmente muito exigente). O tempo de AGU e DPU também foram relevantes nesse quesito. E durante todo esse tempo nesses cargos (pouco mais de cinco anos), li centenas de sentenças, o que também serviu como aprendizado.
Também li um livro de prática penal e outro de prática cível, tendo ainda participado de dois cursos online do CEI e de um curso online do Ênfase para segunda fase, ambos recomendados.

O que acharam?
Danilo, muito obrigada por compartilhar sua experência conosco!
#SomosTodosDanilo 🙂

Bons estudos a todos!

Martina Correia

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18 comentários

  1. Martina,
    Agradeço por ter postado o relato da trajetória do Danilo. Como vc mesma disse, não existe fórmula para passar, porém, a experiência dos aprovados são úteis para que possamos corrigir falhas na preparação. E mais uma vez, parabéns pelos excelentes resumos.

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  2. Show! Método diferente de tantos outros que já vi, porém, o tempo de dedicação e “transpiração” não difere daqueles que também alcançaram seus sonhos. Parabéns!

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  3. Boa Noite!
    Fico muito emocionado saber que existe pessoa a qual se preocupa com os sonhos de outras pessoas mesmo não as conhecendo pessoalmente.Martina muito OBRIGADO por doar um pouco do seu tempo para nós ajudar nesse mundo dos concursos.Deus abençoe(choro)sua vida.

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