O CAMINHO DAS PEDRAS: CLARISSA BORGES (AGU, PFN E PROCURADORIAS)

Oi, pessoal! A Clarissa Borges, com 25 anos, foi aprovada no concurso da AGU, PFN, dentre outras Procuradorias. O depoimento dela é valiosíssimo! Ler relatos de aprovados tem outro aspecto muito construtivo: a identificação. Nem tudo são flores na vida do aprovado. Saber a trajetória de outra pessoa até a vitória dá muito ânimo porque conseguimos visualizar que o sucesso está na persistência e na dedicação.

FNR: Quando começou a estudar pra concurso?
Clarissa: Decidi que queria estudar para concurso no 8º período da faculdade. Me matriculei em um cursinho telepresencial e assistia aulas todos os dias. Contudo, não consegui acompanhar o estudo para concursos com o final da faculdade, juntamente com a OAB e a monografia. Então, eu só assistia as aulas e fazia anotações, mas não revisava, nem mesmo fazia questões sobre os temas estudados. Além disso, não tinha costume nenhum de estudar informativos.
Quando me formei (janeiro de 2014), decidi realmente estudar focada para os concursos de Procuradorias, tendo como edital base o da PFN (conciliava também com o da AGU). No mesmo mês que me formei, fiz o concurso da PGM-Recife e fiz 60% da prova, o que não foi suficiente para livrar o corte, mas aquilo me animou bastante para focar e realmente perseguir meus objetivos. Percebi que tinha uma boa base da faculdade e precisava ajustar os métodos de estudo e iniciar o estudo dos informativos. Nesse passo, passei a ter uma rotina intensa de estudos. O segundo concurso que fiz foi com 4 meses de estudo (PGE-PI), mas não obtive sucesso. Fiquei por 3 questões para ser aprovada. Mais uma vez isso não me deixou desanimada, muito pelo contrário, sabia que estava perto. O terceiro concurso que fiz foi a PGE-RN, com 8 meses de estudos, e obtivesse sucesso na primeira fase. Fui para as fases discursivas e consegui subir várias posições no concurso, o que me garantiu o 9º lugar no concurso antes da fase de títulos. Infelizmente, na fase de títulos fui para a 34º posição, o que, confesso, meu deixou muito abalada, uma vez que eu tinha estudado intensamente durante o tempo do certame (durou de dezembro de 2014 até maio de 2015). Importante destacar que nessa época também fiz o concurso da PGE-PR, mas não consegui ser aprovada na primeira fase.
Diante da reprovação na PGE-PR e na queda brusca na fase de títulos da PGE-RN, passei alguns dias bem triste e desanimada, mas com as notícias de que o edital da PFN e da AGU estavam para sair, resolvi voltar ao ritmo pesado dos estudos. Fiz a prova da PFN e da AGU e obtive sucesso. Resolvi também fazer a prova da PGE-PA (famosa por suas cinco fases dentro de cinco meses). Ademais, fiz também a prova da PGM-SSA. Então, de julho de 2015 a dezembro do mesmo ano, fiz diversas provas (primeiras fases da AGU, PFN, PGE-PA, PGM-SSA, bem como as etapas discursivas e práticas da PGE-PA e PGM-SSA). Obtive sucesso em todas, mas com muita dedicação e disciplina. Certamente, foram os meses mais intensos de estudo da minha vida, de muitas abdicações, mas não me arrependo de nenhum minuto. Em 2016, finalizei os concursos da AGU e da PFN (fases discursivas e orais).

FNR: Quantas horas você estudava por dia?
Clarissa: Estudava cerca de 9h líquidas por dia, de segunda a sexta. Aos sábados e aos domingos meu rendimento era em torno de 6h líquidas. Não tinha o costume de estudar após as 19h. Sempre comecei a estudar muito cedo do dia e quando atingia a meta estipulada e o horário, parava e ia descansar. Costumava fazer atividades físicas, o que me ajudava bastante a dormir bem e a aguentar passar muito tempo sentada. Apenas durante os meses de setembro a dezembro de 2016 que não consegui fazer nenhuma atividade física, pois realmente estava prestando quatro concursos ao mesmo tempo. Procurava sempre dormir cerca de 8h diárias, algo que me ajudava muito a render bem no dia seguinte.

FNR: Como era o seu método de estudo?
Clarissa: Como eu tinha feito um curso telepresencial, já possuía um caderno com anotações de cada matéria. Também estudava com os livros indicados para os concursos de Procuradorias e fazia grifos. Não tinha o costume de fazer resumos. Apenas grifava e relia bastante meus grifos, juntamente com os cadernos que eu já possuía do curso. Gostava de fazer flashcards e anotações em post its, com os aspectos mais importantes das matérias, para colar ao longo do próprio livro ou do vademecum. Essa técnica me ajudava bastante nas revisões.

FNR: Você estipulava metas?
Clarissa: Sim, sempre trabalhei com metas. Todos os domingos eu mesma estabelecia as metas de estudos para a semana. Não contava quantas páginas por hora ou quantos capítulos por semana, mas estabelecia horários fixos por dia (Ex. 2h de constitucional; 2h de processo civil) e programava o assunto que iria estudar na semana (Ex. constitucional: poder legislativo). Caso eu não conseguisse estudar o assunto todo, parava e retomava na semana seguinte.

FNR: Estudava uma disciplina de cada vez ou tentava estudar mais de uma simultaneamente?
Clarissa: No início dos meus estudos, estudava no máximo duas matérias por dia. Após alguns meses e com um maior amadurecimento em algumas matérias, resolvi alterar o método e passei a estudar três ou quatro matérias por dia, mesclando o estudo de questões e informativos.

FNR: Como conciliava o estudo de lei seca, doutrina e questões?
Clarissa: Todos os dias procurava ler a lei seca do assunto que eu estava estudando na doutrina. Ademais, tinha o projeto da constituição diária (cerca de 30 minutos de leitura por dia). Ao final do dia realizava questões, nunca do assunto que tinha estudado no mesmo dia, mas de outra matéria que tinha estudado recentemente.

FNR: A principal reclamação de quem estuda pra concurso é o esquecimento. Como realizava revisões?
Clarissa: Sempre fazia revisões aos sábados. Gostava de revisar fazendo questões sobre os assuntos estudados e também lendo meus grifos. Ao final do mês, também procurava tirar alguns dias para revisar os assuntos que tive mais dificuldade.

FNR: Como estudava informativos?
Clarissa: Estudei informativos pelo site do Dizer o Direito e por alguns livros da Editora Juspodivm. Reservava pelo menos 1h por dia para ler os informativos. Tinha o costume de imprimir todos e fazer anotações e grifos ao longo do texto. Quando comecei a estudar informativos (fevereiro de 2014), procurei ler, inicialmente, todos os informativos de 2013. Paralelamente, separava algumas horas do domingo para a leitura dos informativos de 2014. Com o passar dos meses, fiquei atualizada com os informativos e tinha horários diários (cerca de 1h) para a leitura e revisão. Lia e relia diversas vezes até fixar. Importante dizer que não separava por matéria, mas pela ordem cronológica mesmo.

FNR: Fazia provas de outros concursos como treino?
Clarissa: Durante minha trajetória nos concursos, apenas fiz provas de procuradorias, mas não deixei de fazer nenhum concurso na área que tive condições de ir durante o tempo que estudei. Lembro que a prova da PGM-Niteroi coincidiu com alguma das fases da PGE-RN e não consegui realizar o certame. Além disso, resolvi encarar o concurso da PGE-PA com suas cinco fases em datas distintas. Muitos resolveram nem fazer a primeira fase, mas digo, sem sombras de dúvidas, que foi uma experiência enriquecedora e de completo amadurecimento no mundo dos concursos. Saliento, inclusive, que fiz a PGM-Recife com semanas de formada, como forma de treino mesmo. Foi uma experiência valiosa.

FNR: Como conciliou o estudo para a primeira fase com o estudo para a segunda fase?
Clarissa: Até ser aprovada para a 2ª fase da PGE-RN, não estudava para as discursivas dos concursos de Procuradorias. Criei uma boa base de estudos para as discursivas e provas práticas com o estudo para a 2ª e 3ª fases PGE-RN. Após a aprovação no RN, sempre procurava selecionar uma tarde na semana para realizar questões discursivas e peças práticas para treinar. Não queria perder o hábito, mesmo não tendo nenhuma outra prova discursiva perto. Nunca deixava de fazer pelo menos uma peça na semana e uma discursiva. No segundo semestre de 2015 as coisas ficaram bem puxadas, e tive que conciliar o estudo para as primeiras fases da AGU e da PFN com as provas discursivas da PGE-PA. Nesse passo, separava umas três tardes da semana para treinar as discursivas e peças. Os meus outros horários eram reservados para o estudo das provas objetivas.

FNR: Como foi a sua experiência com a prova oral?
Clarissa: Fiz duas provas orais: a do concurso da AGU e a da PFN. Foram experiências totalmente distintas. A minha primeira prova oral foi a da AGU e fiquei extremamente nervosa. Não curti o momento de poder estar em uma prova oral. Deixei que o emocional me abalasse, meu cobrei bastante e no momento da prova não consegui expor todo o conhecimento que eu tinha adquirido. Obtive a aprovação, mas perdi muitas posições no concurso. Levei essa experiência para a prova oral da PFN e fiz tudo diferente. Tivemos um intervalo de 1 mês e meio entre as duas provas orais e foquei bastante nesse período nas matérias que não estava estudando para a AGU. Além disso, treinei bastante com os colegas. Cheguei no dia da prova com pensamento muito positivo e certa de tudo que tinha estudado. Mantive a tranquilidade (na medida do possível, lógico, tendo em vista que na prova oral é natural ficar nervoso) e entrei em cada sala para a arguição tentando aproveitar o máximo do momento e expor tudo que tinha estudado. Foi uma experiência incrível. Consegui subir cerca de 80 posições com a prova oral da PFN o que me ajudou muito para ser nomeada na primeira leva do concurso e com uma boa lotação.

FNR: Com o tempo e a experiência, todo concurseiro tenta verificar onde está errando e corrigir esse erro. Na sua trajetória, você constatou que estava errando em algum ponto?
Clarissa: O meu grande erro no início foi não ter o hábito de ler a lei seca. Apenas após a minha reprovação, na PGE-PI, que implementei o método de estudo de leitura da lei.

Aposto que, em algum aspecto, você se identificou com a Clarissa.

#SomostodosClarissa   🙂

Bons estudos a todos!

Martina Correia

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15 comentários

  1. Martina, muito obrigado por todo trabalho no blog. É um espelho importante na trajetória tortuosa dos concursos. O relata é muito rico, e obrigado por trazê-lo a nós. Apenas fiquei com uma dúvida. Qual o motivo da Clarrisa ter caído tanto na fase de títulos da PGE-RN? Há algo que um concurseiro iniciante possa fazer para suprir essa lacuna, que aparecerá no futuro?

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    1. Oi, Glatonny! A Clarissa responde: “Depende mt do concurso de procuradorias. A pge RN, assim como em Salvador, deu me importância aos títulos e a pontuação foi alta. Já na pge Pará, por ex, o cenário não mudou nada! O que posso dizer é que o candidato recém formado pode tentar publicar artigos em revistas com conselho editorial, fazer outros concursos (analista, por ex) para já ter o título de aprovação em concurso. Indico tb começar uma pós logo quando sair da graduação. Ressalvo que tudo depende da discidiconariedade da procuradoria na atribuição mesmo do valor dos títulos.”

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      1. Martina, muito atencioso de sua parte em buscar a resposta diretamente com a Clarissa. Obrigado demais, sanou minha dúvida, e continue sempre ajudando tantas pessoas com seu trabalho. Deus te ilumine, sempre!

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  2. Trajetória inspiradora! Qual sua opinião sobre pós graduação pra títulos ou focar apenas nos estudos para concurso de procuradorias? É válido dedicar tempo a uma pós?

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